O que fica do Caim, do Saramago:
- Deus Nosso Senhor (DNS) é um filha-da-puta da pior espécie;
- a cena em que as escravas estão a lavar o pénis ao Cain e este ejacula para as suas bocas e caras;
- a cena em que o Noé está muito bem descansado a dormir e é enrabado pelo próprio filho;
- e, talvez o mais importante, talvez o maior favor que Saramago faz à humanidade e não está a ser nada reconhecido por isso, o facto de conciliar os criacionistas e os evolucionistas, ao apresentar a versão alternativa da bíblia que pacifica definitivamente a questão da origem da humanidade.
Se o livro acaba bem, não começa da mesma forma. Após as primeiras páginas, que eventualmente não terão sido ultrapassadas pelos radicais ortodoxos da nossa praça (só assim se explica a histeria) o livro deixa para trás aquela toada de gozo fácil, passando para um estilo mais formal onde pontua uma ironia mais refinada, mais de acordo com os pergaminhos de um Nobel.
Através de um fenómeno caracterizado pela distorção do espaço e do tempo, o burro que Caim monta leva-o até distintas paragens, fá-lo revisitar alguns dos principais episódios bíblicos, sendo neles protagonista activo ao interagir com as suas personagens e até com o próprio DNS, confrontando-o com a dose de bom senso que falta aos relatos bíblicos, uma espécie de voz da razão tão óbvia para aqueles que fazem uma leitura mais objectiva e pragmática dos textos supostamente sagrados. Não basta estar de fora, apontar as contradições, a violência imbuída dos relatos, a óbvia crueldade deste deus cristão. Saramago decide entrar na própria história, ter uma palavrinha a dizer a toda aquela gente.
O livro acaba bem, como já disse, com o merecido fim da humanidade. Tudo acaba no dilúvio. A arca não salva a humanidade estúpida, criação de DNS. Mas salvam-se os animais, incluído a macacada...de onde, então evoluímos. Ou seja, metade da história do mundo dá razão aos criacionista. Mas a outra metade, a história mais recente, razão aos evolucionistas. Os filhos de DNS, filhos de Adão e Eva tiveram a sua oportunidade perdida. O mundo é agora dos filhos do acaso. DNS é apenas mero espectador dos destinos que o acaso vão proporcionando aos seus agora, quanto muito, enteados. Daí que, salvo pequenas ilusões de óptica ao estilo de Fátima, Ele, a Família, os anjinhos, nunca mais tenham dado sinal de vida, que é como quem diz, de sinal da sua existência. Nunca mais entrou em diálogos directamente com o pessoal cá em baixo, como tão frequentemente fazia aos seus filhos legítimos. Um "Epá eu nisto não me meto!" que no fundo agradecemos. DNS, trata lá da tua vida que da nossa tratamos nós Ok?
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domingo, 20 de dezembro de 2009
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
A Bíblia não é só aquele livro que podemos encontrar a enfeitar as mesinhas de cabeceira dos quartos de hotel. Podemos retirar da Bíblia inúmeros ensinamento das suas incalculáveis short-stories que, se nelas meditarmos, constatamos conterem preciosas instruções para a vida de todos nós. Estou agora a lembrar-me de duas que me tocam particularmente e que gostaria aqui de partilhar, resumindo-as no essencial mas apontado a sua localização no livro sagrado para aqueles que quiserem aceder ao texto na integra. A primeira está localizada em Génesis 37:18-28;39:4-20; Salmo 105:17-19, e reza assim:
Depois de vendido como escravo pelos irmãos, José exerce agora a sua escravatura no Egipto. Servindo o seu amo abnegadamente e tendo assim bom aspecto, é notado pela bela esposa do amo que começa a fazer-se a ele à força toda. No entanto José recusa-se a comer a gaja por causa daquela coisa lá dos mandamentos. Ela, despeitada, vira o jogo ao contrário, e queixa-se ao marido que teria sido alvo de assédio por parte do reles escravo. José acaba por ir de cana, onde acabará os seus dias.
E que no diz esta história ? Além de muito nos dizer acerca da natureza e dos fetiches femininos, diz-nos que nunca deveremos dizer que não, sempre que uma gaja nos assediar. Principalmente se for boa, e se for a mulher ou até mesmo a filha do patrão, melhor ainda e mais razão nos assiste. Duvido que exista algo que melhor faça ao ego de um gajo e o faça levantar todos os dias de manhã com um vigor e vontade de trabalhar extra, do que saber que anda a comer a mulher daquele que o explora.
Outra história, outra preciosa instrução para a vida aparece-nos em 1 Reis 21:1-14; 2 Reis 9:26:
Nabote tinha um terrenozito que ficava paredes meias com o palácio do Rei Acabe, de Israel. Jezabel, a rainha, queria alargar os jardins do palacete e sugeriu ao rei que se comprasse o terreno de Nabote. O rei fez uma proposta irrecusável a Nabote, mas este, por causa daquelas coisas lá dos mandamentos, disse peremptoriamente que não vendia o terreno coisa nenhuma, inviabilizando o negócio. Impossibilitada de ver cumprido o seu sonho, Jezabel arranjou meia dúzia de testemunhas que acusaram Nabote de blasfémia contra o Rei. Como resultado, Nabote e a família foram mortos à pedrada.
Ou seja, deveremos sempre negociar com sapiência, saber até onde podemos ir para vender pelo preço mais alto possível mas nunca fechar a porta à negociação.
Ambas as histórias dizem-nos que muito cuidado devemos ter com as mulheres, a quem devemos prestar toda a atenção e cuidado aos seus desejos e caprichos que muitas vezes podem ser coincidentes com os nossos. Dizem-nos ainda que nunca devemos recusar propostas irrecusáveis só por causa lá daquela coisa dos mandamentos. E este ensinamento podia muito bem ser o 11º mandamento que falta.Apesar dos tempos serem outros, a escravatura, as prisões e as pedras, agora da calçada que devem doer ainda mais, estão em todo o lado, pelo que nunca é demais relembrar estas dicas e aplicá-las na nossa vivência diária se quisermos viver mais, com mais alegria e com a bênção de Nosso Senhor que decerto se regozijará por saber que lemos e aprendemos com o que vem no sagrado livro.
Depois de vendido como escravo pelos irmãos, José exerce agora a sua escravatura no Egipto. Servindo o seu amo abnegadamente e tendo assim bom aspecto, é notado pela bela esposa do amo que começa a fazer-se a ele à força toda. No entanto José recusa-se a comer a gaja por causa daquela coisa lá dos mandamentos. Ela, despeitada, vira o jogo ao contrário, e queixa-se ao marido que teria sido alvo de assédio por parte do reles escravo. José acaba por ir de cana, onde acabará os seus dias.
E que no diz esta história ? Além de muito nos dizer acerca da natureza e dos fetiches femininos, diz-nos que nunca deveremos dizer que não, sempre que uma gaja nos assediar. Principalmente se for boa, e se for a mulher ou até mesmo a filha do patrão, melhor ainda e mais razão nos assiste. Duvido que exista algo que melhor faça ao ego de um gajo e o faça levantar todos os dias de manhã com um vigor e vontade de trabalhar extra, do que saber que anda a comer a mulher daquele que o explora.
Outra história, outra preciosa instrução para a vida aparece-nos em 1 Reis 21:1-14; 2 Reis 9:26:
Nabote tinha um terrenozito que ficava paredes meias com o palácio do Rei Acabe, de Israel. Jezabel, a rainha, queria alargar os jardins do palacete e sugeriu ao rei que se comprasse o terreno de Nabote. O rei fez uma proposta irrecusável a Nabote, mas este, por causa daquelas coisas lá dos mandamentos, disse peremptoriamente que não vendia o terreno coisa nenhuma, inviabilizando o negócio. Impossibilitada de ver cumprido o seu sonho, Jezabel arranjou meia dúzia de testemunhas que acusaram Nabote de blasfémia contra o Rei. Como resultado, Nabote e a família foram mortos à pedrada.
Ou seja, deveremos sempre negociar com sapiência, saber até onde podemos ir para vender pelo preço mais alto possível mas nunca fechar a porta à negociação.
Ambas as histórias dizem-nos que muito cuidado devemos ter com as mulheres, a quem devemos prestar toda a atenção e cuidado aos seus desejos e caprichos que muitas vezes podem ser coincidentes com os nossos. Dizem-nos ainda que nunca devemos recusar propostas irrecusáveis só por causa lá daquela coisa dos mandamentos. E este ensinamento podia muito bem ser o 11º mandamento que falta.Apesar dos tempos serem outros, a escravatura, as prisões e as pedras, agora da calçada que devem doer ainda mais, estão em todo o lado, pelo que nunca é demais relembrar estas dicas e aplicá-las na nossa vivência diária se quisermos viver mais, com mais alegria e com a bênção de Nosso Senhor que decerto se regozijará por saber que lemos e aprendemos com o que vem no sagrado livro.
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