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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Hoje vi um gajo parecido com Nosso Senhor Jesus Cristo (NSJC). Há muito tempo que não via nenhum gajo parecido com NSJC mas já me aconteceu várias vezes ao longo da minha fantasmagórica existência cruzar-me com estas personagens. Uma pessoa nunca fica indiferente quando as encara e pensa logo “fosga-se este gajo é mesmo parecido com NSJC!”.
Depois subsiste aquela duvida primordial… É que está entranhada no nosso ADN, essa certeza inabalável que é saber-se que NSJC voltará um dia à Terra. Fica-se sempre a pensar, “espera lá, queres ver que é este mesmo o NSJC original que voltou à terra e escolheu ir de metro até ao Marquês?!”.
É pena que esta coisa dos sósias só tenha sido inventada no século passado. Bem que se safou o Hitler várias vezes, lá se vai safando o Michael Jackson e muito jeito teria dado a NSJC coitado, naqueles tempos em que as pessoas se vestiam com lençóis enrolados no corpo e se entretiam a apedrejar-se e a crucificar-se umas às outras.
Tal como todos os gajos parecidos com NSJC, este que vi hoje tinha todas aquelas características peculiares que o poderiam identificar como sendo NSJC: moreno, barba desgrenhada, cabelo comprido e desgrenhado, aquele olhar alienado, calado, sozinho e parecia ter fome. Não aquela fome de gajas, mas mesmo fome-fome, nutricionalmente falando, de quem lhe apetecia assim uma bela sardinha assada. Tinha era uns ténis da Nike, porque se tivesse umas sandálias, pelo seguro, tinha-lhe logo pedido a benção.
É pena que esta coisa dos sósias só tenha sido inventada no século passado. Bem que se safou o Hitler várias vezes, lá se vai safando o Michael Jackson e muito jeito teria dado a NSJC coitado, naqueles tempos em que as pessoas se vestiam com lençóis enrolados no corpo e se entretiam a apedrejar-se e a crucificar-se umas às outras.
Tal como todos os gajos parecidos com NSJC, este que vi hoje tinha todas aquelas características peculiares que o poderiam identificar como sendo NSJC: moreno, barba desgrenhada, cabelo comprido e desgrenhado, aquele olhar alienado, calado, sozinho e parecia ter fome. Não aquela fome de gajas, mas mesmo fome-fome, nutricionalmente falando, de quem lhe apetecia assim uma bela sardinha assada. Tinha era uns ténis da Nike, porque se tivesse umas sandálias, pelo seguro, tinha-lhe logo pedido a benção.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Os dias nem sempre se repetem iguais e monótonos. Hoje aconteceu-me algo inesperado e completamete inédito: andei numa carruagem onde nunca tinha andado. Segue a lista de evidências:
- Os bancos eram numa espécie de veludo castanho.
- O aviso sonoro do fechar das portas era mais estridente e apresentava uma cadência diferente.
- As molas dos suportes do tecto onde as pessoas se seguram, não faziam o crack-crack do costume, antes, uma chiadeira que resultava numa interessante sinfonia.
Depois, à saída, esbarrei numa gaja que parecia mesmo a Victória Beckham.
- Os bancos eram numa espécie de veludo castanho.
- O aviso sonoro do fechar das portas era mais estridente e apresentava uma cadência diferente.
- As molas dos suportes do tecto onde as pessoas se seguram, não faziam o crack-crack do costume, antes, uma chiadeira que resultava numa interessante sinfonia.
Depois, à saída, esbarrei numa gaja que parecia mesmo a Victória Beckham.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Eu sei que não é fácil. Bem vejo os comportamentos atrapalhados daqueles incautos que quando vão muito bem a ler o seu jornal ou a reparar na racha da saia da gaja que vai sentada à frente, quando são confrontados e interrompidos pela presença desagradável de um pedinte a pedir esmola “por amor de deus”, para “comer qualquer coisinha”, a trautear refrães ou slogans de mendigo, e outros que nem precisam de abrir a boca. Não é fácil dizer que não. Somos confrontados com o drama alheio assim de uma forma tão directa que chega a ser desconcertante. Mas lá tem que ser, com mais ou menos desconforto ou vergonha, fica-se um bocadinho mais perto do inferno mas recusa-se a esmola porque senão um gajo não ganhava para os pedintes.Não é fácil para os outros mas um bom bocado mais fácil para mim, que sou fantasma. Não que a minha discrição me faça imune ao contacto com tais vítimas da sociedade. A minha presença é notada, sou apenas mais um potencial fornecedor da miséria. Mas uma das características que mais agradeço a Nosso Senhor em boa hora me ter dotado e que, garanto-vos, não é produto de qualquer herança genética, é o facto de ficar impávido e sereno sempre que alguém se arrasta até mim a pedir esmola, e assim, conseguir escusar-me com toda a indiferença e facilidade a dar meia dúzia de trocos a alguém. Bem falta me fazem! Geralmente nem sequer olho para o indigente. Faço um pequeno e quase imperceptível aceno com a cabeça que é entendido como “tenho dinheiro mas preciso dele para comprar um telemóvel novo”. Eles compreendem.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Coisa rara, observo despreocupadamente uma gaja estrangeira entretida a enviar uma mensagem pelo telemóvel. É raro fazê-lo assim, olhar inocente, em que se olha e não se pensa nada do género “grandas mamas”, “olha-me aqueles lábios”, “que peidola divinal”, coisas que com naturalidade passam pela cabeça de um gajo. Observo, simplesmente, fixando pontos sem o mínimo interesse, como os motivos da sua mala de tecido.
A gaja é alemã, não se coíbe de mostrar o visor do telemóvel. Imagino que pode estar a mandar uma sms para uma amiga a dizer qualquer coisa como “anne estou ao lado de um portuga que está só a micar a minha mala... começo a ficar com receio que em vez de me querer comer me queira roubar!”. O que passa pela cabeça de um gajo, mesmo olhando despreocupadamente e sem ter qualquer pensamento pervertido na tola...
Então reparo numa característica interessante na gaja. Ela é daquelas pessoas, coisa igualmente rara, que expressa facialmente o que está a sentir, no caso, o que escreve. Quase que para cada letra que tecla no telemóvel, faz como que pequenos esgares condizentes. Torna-se mais evidente quando remexe na sacola e faz uma expressão com a cara do género “onde é que eu pus os rebuçados do dr. Bayard ?”. É uma mima inata. Enquanto não saio, efectua varias buscas pelos vários bolsos da sua mala, sempre com expressões faciais adequadas a pensamentos tais como “olha!! encontrei este femidon, mas ainda não é isto o que procuro!“. Era boa.
A gaja é alemã, não se coíbe de mostrar o visor do telemóvel. Imagino que pode estar a mandar uma sms para uma amiga a dizer qualquer coisa como “anne estou ao lado de um portuga que está só a micar a minha mala... começo a ficar com receio que em vez de me querer comer me queira roubar!”. O que passa pela cabeça de um gajo, mesmo olhando despreocupadamente e sem ter qualquer pensamento pervertido na tola...
Então reparo numa característica interessante na gaja. Ela é daquelas pessoas, coisa igualmente rara, que expressa facialmente o que está a sentir, no caso, o que escreve. Quase que para cada letra que tecla no telemóvel, faz como que pequenos esgares condizentes. Torna-se mais evidente quando remexe na sacola e faz uma expressão com a cara do género “onde é que eu pus os rebuçados do dr. Bayard ?”. É uma mima inata. Enquanto não saio, efectua varias buscas pelos vários bolsos da sua mala, sempre com expressões faciais adequadas a pensamentos tais como “olha!! encontrei este femidon, mas ainda não é isto o que procuro!“. Era boa.
terça-feira, 29 de maio de 2007
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Vou a subir as escadas e toco com o casaco que trago debaixo do braço inadvertidamente na peidola duma gorda que segue é minha frente. Movimento absolutamente involuntário. Ainda assim fico algo receoso, não vá a gorda virar-se. Podia perfeitamente julgar que teria sido de propósito, aquele toque, facilmente confundível com um pequeno apalpão. Mas não. A gorda continua na palheta com a amiga também gorda.
Apercebo-me que, quem gosta do género, peidolas gordas, pode bem dar uso à mãozinha marota de uma forma selectiva. Arriscar, porque, com alguma sorte, as gajas gordas fingem que não foi nada. Mas sugiro alguma cautela. Sugiro um apalpão suave e acariciador, do tipo festa na cabeça de bebé recém-nascido.
Apercebo-me que, quem gosta do género, peidolas gordas, pode bem dar uso à mãozinha marota de uma forma selectiva. Arriscar, porque, com alguma sorte, as gajas gordas fingem que não foi nada. Mas sugiro alguma cautela. Sugiro um apalpão suave e acariciador, do tipo festa na cabeça de bebé recém-nascido.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Avisto uma peidola dentro de umas calças de bombazine castanhas e fico-me por ali, na plataforma. Corre tudo bem, ou seja, a porta do metro pára mesmo em frente, está garantido que entraremos pela mesma porta. Posiciono-me discretamente a cerca de um metro. À minha frente, uma velha faz de fronteira. Durante a entrada, confirma-se, que bela peidola. Mas o azar bate à porta. Ela não fica na zona de entrada, onde a malta está em pé. Encaminha-se para a zona dos lugares sentados e, por incrível que pareça, um gajo engravatado cede-lhe um desses lugar. A velha que estorvava à minha frente faz um movimento brusco e toca-me na zona pélvica. Que nojo!
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