terça-feira, 15 de julho de 2008

"…Agora pareço estar mais à vontade, na longínqua e pálida margem das coisas. Se posso falar em estar. Se posso falar em à vontade.…

É uma questão de calma interior, de nos escondermos dentro de nós próprios, como um bicho agachado na toca, enquanto os cães passam a correr.…

Eu fazia uma coisa enquanto pensava outra e, ao constatar este abismo, ficava sem saber quem era.…

Não são os mortos que agora me interessam, por mais que vivam à noite pelos quartos vazios. Então, quem é que me interessa ? Os vivos ? Não, não, qualquer coisa de intermédio; uma terceira coisa.…

Há homens, bem sei, que percorrem o mundo em busca da mulher ideal, aquela que satisfará os seus mais escuros desejos e saciará as quentes e informes exigências do sangue; e eu sou desses, com a diferença de que o que eu lascivamente desejo não é uma odalisca de olhos impúdicos mas um ser feito de quietude; não inerte, nem inanimado, mas calmo como eu, um lago claro numa clareira sombria, no qual possa banhar a minha pobre fronte latejante e refrescar os seus tímidos afogueamentos....“
Jonh Banville

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sinto forte dependência e instintiva atracção pelo impossível, por tudo o que também instintivamente sinto que jamais poderei alcançar.
Exhibit one: não são raras as vezes que me acontece ter vontade, ficar aflitinho para escrever em locais ou situações onde tal não é possível. Mas depois, au contraire, quando tenho tudo o que preciso para o fazer, quando tenho a possibilidade de concretizar o desejo mesmo ali à frente, a desinspiração instala-se... Andamos desencontrados, eu e o desejo, ele aqui, eu lá, ou então ele lá, a maior parte das vezes, e eu em lado nenhum.
Nunca estou no momento, antes, sempre no momento seguinte. O pensamento sobrepõe-se sempre, mais rápido, mais forte que a realidade. Habito um presente onde sou um anacronismo, onde nunca estou verdadeiramente presente a não ser em pensamento, onde sou a ficção de mim próprio, condenado pela impossibilidade de ser.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Deixo aqui o apelo a quem por favor tiver ou encontre por aí em MP3 a musica “We Don't Wanna Be the Ones to Take the Blame” do album Rite to Silence dos “The Sandals” o favor de deixar aqui a sua pista e indicar o email para eu depois contactar. Passa esta mensagem aos teus amigos, amigos dos amigos, amigos dos amigos dos amigos, desde que seja a muita gente, mas vá lá, eu não encontro este magnifico som em lado nenhum.
Hoje eu, amanhã posso ser eu outra vez a precisar… Mas pode ser que um dia sejas tu. Até vou dizer “bem hajam” e tudo. Vá lá…
Actualização:
Uma avassaladora onda de solidariedade, que me apraz registar, varreu a blogosfera e ao fim de poucas horas após a publicação deste post já tinha comigo o tão desejado ficheiro que, como é meu apanágio, tenho estado a ouvir obsessiva, compulsiva e repetidamente.
Se clicarem aqui também ficam com ele. Portanto, "bem hajam"!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Hoje quando a rapariga me servia o prato com o caril de frango, senti um enorme impulso de lhe perguntar: “Sabia que a glande dos homens circuncisados acaba por ir perdendo a sensibilidade porque gradualmente vai ficando cada vez mais seca, acabando inclusive por secar quase completamente as mucosas ali presentes que Deus Nosso Senhor tão cuidadosamente criou e ali colocou para que se pudessem apanhar com mais facilidade doenças sexualmente transmissíveis ?”

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A feira do livro de Lisboa é um lugarzinho inclinado cada vez mais repleto de livros que ninguém quis ou quer ler, entre outros que toda a gente é levada a querer. Este ano há a novidade das novas barracas da Leya, o único motivo de curiosidade que me faz subir a ladeira. Só para chatear, as novas barracas estão mesmo lá no topo. Até lá vou passando pelas antigas, cada uma delas com o habitual goblin no seu interior que nos mira do alto até à cintura, fazendo-nos o favor de nos fazer sentir alguém que pode gamar um livro a qualquer instante caso ninguém esteja a ver. No fundo não os censuro. Rodeados de livros, que mais podem fazer se não ir olhando e imaginar que todos os pelintras que por ali deambulam, não se sabe bem à procura do quê, são delinquentes... Chego então às novas barracas e rapidamente me apercebo que se abriu a caixa de pandora das barracas da feira do livro. A modernidade chegou ao parque! Cada uma das editoras da Leya tem uma barraca com uma rampa de um lado e umas escadas do outro. Os potenciais leitores entram pela rampa para a barraca rodeada de estantes, podendo percorre-las com o seu habitual olhar vazio ou não estejam ali perfiladas as mesmas 20 lombadas do ultimo do Saramago. Ao meio da barraca uma banca com mais livros. Faz-se assim um minicirtcuito dentro da barraca, entrando-se por um lado e saindo-se pelo outro de modo a seguirmos para a próxima barraca. Pega-se no livro que sub-repticiamente nos impingiram e é só dirigir-mo-nos à barraca central que processa as vendas de todas as barracas. Nem parece que estamos na feira do livro, antes no curral do livro. No próximo ano não será de admirar que as outras editoras, que não sejam entretanto compradas pela Leya, queiram também elas próprias ter os seus próprios currais... Ou seja, os descontos que se poderiam esperar nos livros, no futuro serão menores porque as editoras vão empatar dinheiro extra na construção de cada vez mais aprimorados currais. No futuro teremos melhores condições para nos impigirem livros, sem dúvida, livros mais caros. Fica desvirtuado completamente o conceito de feira do livro, que deve ser um sitio ad-lib, sem condições para comprar livros, mas para os descobrir. Se querem condições vão à Fnac!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Há sempre algo de inédito nos meus dias sempre iguais. É só preciso estar atento...como agora....
Vejo umas unhas pintadas de azul clarinho. Em vez de ter uns olhos, tem as unhas dos pés da cor do céu. Quem será o seu poeta ?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ver o mundo num grão de areia, o céu numa flor silvestre, ter o infinito na palma da mão e a eternidade numa hora.

William Blake (1757 . 1827)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Por estes dias circulam milhares de mensagens por mail e sms apelando ao boicote nos postos de abastecimento da Galp, BP e Repsol. Pode-se portanto durante os próximos dias 22,23,24 e 25, abastecer nos outros postos de abastecimento porque não há problema. Por exemplo, nos postos da Cepsa ou nos postos dos hipermercados porque a gasolina que vendem é muito mais baratinha, não é poluente, não é feita a partir de petróleo, muito menos desse petróleo nauseabundo extraído pela OPEP que aquelas três gasolineiras vendem a preços exorbitantes. É uma gasolina completamente diferente e a prová-lo está a meia dúzia de cêntimos mais barata a que é vendida. Contando naturalmente que quando o automobilista vá encher o depósito ao hipermercado não esqueça de deixar primeiro lá dentro o couro e o cabelo.
Só posso admitir que os cretinos que inventaram esta cruzada de facto não acreditem nos efeitos práticos da mesma, porque não irão naturalmente existir, antes sintam especial gozo em ver a maralha aderir a mais uma sem pés nem cabeça. E a maralha adere porque simplesmente anda tresmalhada e desejosa de se encarneirar atrás de qualquer ideal que mesmo por breves dias a faça sentir que há algo porque valha a pena lutar…Por exemplo, lutar pelo seu direito ao consumo!
Mas alguém que explique a esta gente que é a lei da oferta e da procura que regula os preços. Que de há uns anos a esta parte, os chineses começaram a pôr de lado as bicicletas, os indianos os elefantes, e começaram alegremente a comprar meios de locomoção movidos a gasolina. Gasolina essa que já não chega para as encomendas. Que além disso, e a verdadeiramente influenciar o preço final ao consumidor, é o pesado imposto que o estado português impõe sobre os produtos petrolíferos. Em ultima instância, o culpado é o Estado, o governo, o Sócrates e quem nele votou. Esses mesmos votantes que nos próximos dias vão fazer fila nos hipermercados.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ao meu lado seguem duas estudantes universitárias. Malta fresquinha®. A mais feiazinha é quem conduz a conversa, trazendo à baila diversos temas que passam pelo professor que se divorciou, pelo que chega sempre atrasado, continuando numa série de TV onde se vê mesmo uma ténia a mexer, e noutro episódio onde aparece um verme que se alimenta de naftalina. A que se senta mesmo ao meu lado fala com uma suavidade na voz, uma serenidade tão sublimemente feminina, capaz de despertar em mim a libido que em manhãs como esta parece anestesiada. Fiquei acordado até por volta das quatro da manhã, cerca de três horas de sono mal dormido que me lançam para um confortável torpor. Interrogo-me sobre se não estarei viciado neste estado, onde as dores na cabeça e nas articulações ocupam-me demasiado para pensar em seja o que for. Faz-me muito bem não pensar em seja o que for, alheando-me da realidade suburbana que sou forçado a frequentar, concentrando-me apenas nos dramas biológicos do meu corpo. Fazia-me bem enlouquecer. A falta de sono parece sempre encurtar esse caminho por onde de vez em quando me aventuro, mas voltando atrás sempre pelo mesmo trilho.
Agarrado ao telemóvel, como se o Chuzzle, este eterno companheiro de breves e monótonas viagens fosse muito mais importante que as mãos da serena estudante que repousam sobre uns calhamaços de farmácia, vou disfarçando a minha sede, o mau estar que me causa estar a poucos centímetros de um objecto de desejo inalcançável.
À minha frente senta-se agora uma mulher dos seus quarenta e passo os 500 mil pontos. Não me atrai absolutamente nada este tipo de mulher dos seus quarenta, principalmente porque assim que se senta, acto continuo (o momento merece linguagem policial), leva braço à cara e esfrega o nariz com a parte inferior do antebraço nu, deixando eventualmente ali um rasto de muco que me escuso a descrever e ganho uma vida extra.
As mãos de onde sobressaem uma unhas cuidadosamente pintadas de vermelho agarram agora um telemóvel e fico sem saber qual foi o destino do verme. O namorado segue na carruagem seguinte e breves momentos depois, só tempo de mudar de carruagem, não cair à linha e ser trucidado, interrompe a conversa. Ela levanta-se, não se despede da amiga colega e ignora-me por completo, que é naturalmente o que merecem gajos agarrados ao telemóvel a jogar. Ainda vai a passar à minha frente, quando a mão do universitário ocupa esse espaço deliciosamente mágico que cobre a cresta iliaca, por breves segundos exposto a poucos sentimentos das minhas sedentas mandíbulas, roubando-me fracções de segundo de deslumbre. Além dos dedos dos pés, o pneuzinho das mulheres é uma das partes mais menosprezadas da anatonomia feminina… Quanta beleza, quanta ergonomia encerra aquele naco de carne… Novo recorde.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Este post é escrito sob o efeito do alcóol. Apesar de saber que não aprendo nada com aquela malta, mais uma vez cedi aos apelos do outro lado da rua. E agora estou para aqui, na cabeça duma mistura de cinco ou seis carlsberg e uma bifana grelhada com muito picante. No bolso da camisa trago um monte de rótulos, descolados das garrafas, empregnados do cheiro a cerveja, que contêm códigos para serem introduzidos no site da cervejeira, habilitando-nos a bilhetes a jogos do europeu. De resto, apenas algumas constatações. A primeira, já não vou precisar de jantar. A segunda, neste estado em que todos voluntariamente nos pusemos, a mulher deixa de ser mulher para passar a ser única e exclusivamente corpo. E deixar de ser corpo, para passar a ser peidola, é apenas um passo. Terão as mulheres consciência do valor que nós gajos com os copos damos à forma dos seus reais traseiros e principalmente à maneira como se locomovem dentro dumas calças de ganha justas...? Obviamente que si, têm. E ainda bem.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Aluna típica da Carolina MichaelisNo YouTube é possível verificar com toda a certeza que a cena da escola Carolina Michaelis não se passou de facto entre duas alunas naquela guerrinha teimosa de "dá cá o meu telemóvel!" vs. "não dou!". Era uma dúvida que eu tinha. Poderia aquele patético episódio ser uma qualquer encenação, tipo Carolina Michaelis Project destinada exclusivamente aos consumidores do YouTube. Mas não, ao contrário do que circulou pelos telejornais, ali podemos ver as caras dos intervenientes e portanto confirmar que as adversárias são uma aluna e uma professora que se degladiam ferozmente pela posse de um telemóvel.
Ao contrário do que se diz, não se vê qualquer agressão. Nem sequer são proferidas palavras injuriosas. Terminado o episódio, a professora reflectiu certamente sobre o sucedido, tendo chegado à conclusão que não deveria ter tomado a atitude que tomou ao retirar à força e sem consentimento da aluna, um objecto tão pessoal como é um telemóvel, onde se guardam mensagens e pensamentos, texto e imagens pessoais e que constituem informação intima. Aliás o comportamento histérico da aluna é bem revelador da importância e dos segredos que aquele telemóvel devia conter...
O assunto iria ficar no esquecimento, não fossem as imagens da agressão que nunca existiu. Mas como toda a gente diz que existiu, a professora vai então agora, finalmente, apresentar processos contra toda a turma, actores, figurantes, equipa técnica e realizador, tendo como testemunhas o bando dos mesmos moralistas que são os primeiros a dizer que "as crianças são a melhor coisa do mundo" para depois as quererem crucificar quando começam a ganhar pintelho.
A única coisa que foi brutalizada naquela sala de aula foi o telemóvel.

terça-feira, 25 de março de 2008

Vou à missa. Sempre foi sítio onde nunca me senti assim muito à vontade. Nunca me dei bem com a solenidade do evento que obedece a um determinado número de rituais que dada a minha natureza desprovida de qualquer tipo de espiritualidade, nunca compreendi nem assimilei. Deus Nosso Senhor não quis que eu nascesse com o gosto pela missa, por esta estranha ginástica que aqui se pratica: ora estar de pé, ora sentado, ora fazendo gestos com as mãos ao mesmo tempo que as outras pessoas, ora repetindo ladainhas ao mesmo tempo que toda a gente, enquanto se mantém o cérebro adormecido, numa espécie de stand-by, embalado nas prédicas do padre.
Vou a esta missa porque me dizem ser uma missa diferente, que valerá a pena ouvir as vozes virginais das freiras entoarem cânticos celestiais, que me irão transportar para um estado de paz e harmonia que bem preciso, desgraçado! Obviamente que estão errados. Não há nada que traga paz e harmonia a um fantasma. Não há forma nem acontecimento que pare a lúbrica engrenagem do meu pensamento.
O local é um convento, algo secreto, algo esquecido, onde uma dúzia de freiras isoladas do mundo, duma certa realidade, não falam com ninguém exceptuando nestes Domingos, onde apenas abrem as suas tépidas bocas para cantar e recitar a bíblia. Nos restantes dias dedicam-se à contemplação e a cuidar de ovelhas. Como as freiras sempre fizeram parte do meu imaginário erótico, achei que seria boa ideia ir a esta missa.
Na pequena capela são mais as freiras que os assistentes. Além de mim, o único gajo presente está sentado no banco da frente abraçado a uma gaja. Aquele tipo de abraço que encontramos nos quadros de arte sacra da idade média. Ela pousa suavemente a cabeça no seu ombro, ele pousa delicadamente a sua sobre a cabeça dela, e adoptam sempre esta posição cada vez que se sentam, estando de mão dada, sempre suave e delicadamente, quando estão de pé.
Há vários momentos que retenho e que precedem a minha saída a meio da cerimónia porque de facto esta experiência conceptual está a ficar chata. Rapidamente a admiração e a novidade se esvaem na monotonia da liturgia onde nenhum dos protagonistas jamais olha para o outro. Falo do padre, das freiras, do rebanho, que a todo o momento se parecem ignorar, como se não existissem... Fantasmagórico, diria.
Um desses momentos é quando a certa altura o padre tem na mão um ramo de uma planta qualquer e se dirige a cada uma das freiras, acenando o ramo, assim do tipo pequena vergastada na cabeça. Não lhes toca, apenas ensaia o gesto e depois dirige-se à assistência e faz o mesmo gesto assim para o geral, tipo chibatada. Nesse momento toda a gente baixa a cabeça, amocham assim do género “ai vergasta-me que eu mereço”, e eu, apanhado de surpresa, sou o único que mantém a cabeça erguida sendo alvo imediato da atenção do padre que antes de voltar costas me olha surpreso como que a pensar “quem é aquele filho da puta que não amochou ?!”. Terá sido a única vez que o padre olhou directamente para alguém da assistência, do rebanho, e reparou nesta ovelha negra.
Um segundo momento acontece quando a certa altura toda a gente está sentada e faz-se silencio. Quando dou por mim reparo que mais uma vez todos amocharam. Parecem entregues a um qualquer estado meditativo que não consigo alcançar. Limito-me a observa-los, a observar as curvas que as gotas da chuva fazem na vidraça da janela, a verificar que não há ninguém, uma freira sequer a espreitar pelo canto do olho. Aproveito eu para escrutinar se há por ali beleza naqueles rostos, nas formas debaixo das vestes negras… A maior parte delas fazem-me lembrar a Irmã Lúcia. Acredito que assim como há putos que queiram ser e parecer com o Cristiano Ronaldo, as freiras deste convento também têm o seu modelo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Foto da Scarlett Johanssen a beijar a Natalie Portman deixando todos completamente tresloucados de desejo.Este fim de semana a revista do Expresso fez capa com o tema da fufaria em Portugal. Aparecem gajas de várias idades, cara destapada, uma locutora da televisão e empresárias, uma delas a fumar charuto, como um homem, de modo a que não tenhamos dúvidas que estamos perante lésbicas… Nada a opor e até compreendo o fenómeno que acredito tenha ganhado novo fôlego com a exibição da série “The L Word”. E ganhou agora definitivamente mais respeitabilidade pelo menos entre os nativos consumidores do Expresso.
No que me diz respeito, se fosse gaja, era fufa de certeza absoluta. Não sei até como não está mais propagado o safismo… Uma mulher normal está incomparavelmente mais perto de uma Scarlett Johanssen ou duma Natalie Portman que um gajo normal estará de um George Clooney ou do “Malboro man”. É pois compreensível a desolação feminina e a procura da beleza e do prazer por outras bandas. O homem corrente está muito mais longe do homem ideal, que elas estão para o ideal do homem corrente, que é já ali, ou seja, que não tem ideais. Uma ida ao cabeleireiro, uma maquilhagem, uma mini-saia, umas calças de ganga justas da Salsa, um cinto de ligas, e tantos outros truques, podem fazem milagres pela beleza duma mulher e a libido de um homem, bicho mais visual, mais imediato, logo, menos exigente.
É normal que elas não tenham pachorra para aturar os machismos, o sabor a cerveja e a tremoço na boca, os cabelos nos lençois, a ausência de preliminares, os fanatismos pela bola, carros e gajas, e as ejaculações precoces da malta. Tudo coisas que uma fufa não encontra na sua gaja. É compreensível a angustia feminina e o desejo de descobrir novas formas de prazer sem contra-indicações. Toda a racionalidade joga contra nós, feios, porcos, maus e normais, e chegará o dia em que só personalidades femininas desviantes, porventura caracterizadas por um qualquer resquício de animalidade, ainda gostem de “levar com ele”. Até esteticamente falando, é muito bonito ver duas mulheres beijarem-se na boca. Se forem visíveis as suas línguas deixa de ser bonito para passar a ser excitante e dá mesmo vontade de meter lá a nossa também. Duvido que as mulheres sintam tanto deleite a ver dois gajos beijarem-se como nós sentimos a vê-las a elas.
É só vantagens. Acho que temos muito a aprender com as mulheres…as fufas, obviamente.
Foto do George Clooney a ser beijado por um gajo qualquer. Veja-se o teor repugnante da cena bem patente no esgar agoniado do George.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A bolha de cuspe

Entro no elevador e tenho a companhia duma colega dos pisos superiores. Digo qualquer coisa que me parece ser “bom dia”. Acho que ela também responde qualquer coisa parecida com "boa tarde" e baixa a cabeça olhando fixamente para o chão. Reparo que no canto dos seus lábios forma-se involuntariamente uma pequena bolha fabricada a partir da sua saliva e duma pequena porção de ar expelido do interior da sua boca. Matérias orgânicas numa proporção miraculosamente exacta para formar tão prodigioso fenómeno. A bolha é perfeita, é redondinha, faz lembrar as bolas de sabão mas com a diferença que nesta não há batota. Esta, até prova em contrário, é feita de puro cuspe. Fixo-a com o olhar, a bolha, reparo como resiste a breves contracções que consigo detectar no corte perfeito daqueles apetecíveis lábios e lembro-me daquele filme, autêntico plágio dos meus pensamentos, “Cashback”. Para quem não viu, a história anda ou gira à volta de um gajo que trabalha num supermercado e que consegue parar o tempo. Ou seja, as gajas ficam paradas pelos corredores do supermercado e o tipo, artista, dono da imaginação, tem todo o tempo para as despir a seu bel-prazer e… desenhar.

Só o facto do filme apresentar os melhores pares de mamas alguma vez registados por uma câmara de filmar seria motivo mais que suficiente para a rapaziada ir já ver o filme. Mas vale mais que isso e não fosse aquele final feliz, mais parecido com um anuncio dum qualquer parfum de Cacharel, era o filme da minha vida, pelo menos dos próximos minutos de vida. Quantas e quantas vezes não desejei que o tempo parasse, como agora, mesmo antes de chegar ao rés-do-chão, mesmo a tempo de ser eu a rebentar a bolha com toda a delicadeza que só um verdadeiro artista sem jeito nenhum pode ter.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Acabo de ver um gajo parecido com o Vladimir Putin empunhando em ambas as mãos diversos bilhetes de lotaria e que caminha entre a multidão com ar de satisfação muda. Faz breves paragens, vira-se para as pessoas e flectindo as pernas, abana as mãos como se tivesse os bilhetes premiados.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Como a minha actividade paranormal tem andado em baixo, não tenho aparecido por estas bandas. Embora de vez em quando me tenha lembrado deste meu projecto que se propõe efectuar uma investigação séria à tristeza, logo de imediato surgia em mim este pensamento: “que se fôda o blog!” Mas a verdade é que sabia que mais tarde ou mais cedo acabaria por aqui voltar. Não esperava que fosse por uma razão relacionada com um tema de certa maneira tabu entre a malta. Que eu saiba nunca li nada em blogs sobre o assédio dos rabetas a gajos normais escrito pelas vítimas, os gajos normais. Como ‘gajos normais’ quero dizer gajos que gostam de gajas e mais nada. Com ‘mais nada’ quero dizer que para muitos desses gajos, além de serem do Benfica, a normalidade ficar-se-á por ali e quem sabe até um dia em que um gajo gostar de uma gaja seja considerado uma anormalidade. E digo gostar, do género sentir tesão.
Aconteceu-me uma merda bastante desagradável hoje e daí vir agora até aqui desbobinar. Se pudesse tomava também um duche. Sei lá, talvez me ajudasse a limpar do desagradável acontecimento de que fui protagonista. Cortar o cabelo irei fazê-lo, logo, de certeza absoluta. Cortar o cabelo para mim tem um efeito terapêutico formidável. Ás vezes ando com neura e o facto de cortar o cabelo, não sei se é por poder espreitar pelo espelho a peidola da Fátinha ali a sirandar à minha volta enquanto me o corta e me conta as fabulosas aventuras da filha na escola, se simplesmente são as energias negativas que se me acumulam no couro cabeludo, sentido-me sempre aliviado de as ver ali no chão debaixo dos pés da Fátinha a serem depois varridas para dentro dum caixote do lixo onde irão encontrar-se mais tarde com latas de conserva de atum abertas e outro material não reciclável num qualquer aterro sanitário. A minha esperança é que por esta hora já ninguém esteja a ler esta merda. Na verdade tive uma necessidade tremenda de expurgar o desagradável acontecimento de que fui protagonista e daí ter vindo para aqui escrever e ressuscitar este blog quando se calhar já muitos o julgavam moribundo. Ainda assim, à cautela, vou tentar divagar ainda mais qualquer coisa, acrescentar mais meia dúzia de linhas de palha até chegar ao cerne da questão e que secretamente desejo que ninguém leia. Embora saiba que ao escrever “desejo que ninguém leia” esteja a despertar curiosidade num post que por este andar vai ser o post mais comprido e chato da minha vida. E estou a escrevê-lo primeiro no Word não só por causa do corrector ortográfico mas também porque não convém que o Blogger esteja muito tempo aberto aqui no trabalho. Acredito que há um qualquer puto bexigoso da informática que deve controlar esta merda, os acessos da malta à net durante o horário de expediente. Quando terminar de escrever, irei fazer copy & paste do texto para o Blogger. O problema ou talvez a vantagem é que os tipos do Google devem conseguir identificar os textos que foram copy & paste, e para eles tais textos constituirão informação duplicada, copiada, lixo que deve ser relegado para o fim no motor de busca. Aqui fica a dica para bloggers: se querem que os vossos textos sejam melhor pesquisáveis e apareçam nos primeiros lugares nos resultados do Google, quando estiverem a escrever os vossos posts façam-no directamente na caixa de texto do Blogger.
Bem, falemos então do que me aconteceu. Antes relembro um domingo à noite em Mafra quando andava na tropa. Um camarada meu chegava do fim de semana civil bastante perturbado. O tipo vinha do Entrocamento de comboio e ia depois a penantes até à Praça do Comércio onde se encontrava com um gajo de outro pelotão e vinham os dois no carro do outro apanhando pelo caminho outros recos (recrutas). Nessa noite, naquele quartel de luxo no interior do convento de Mafra, o tipo contou-me a mim e a mais outros gajos que cerca de uma hora antes, quando chegara a Santa Apolónia (estação) e se dirigia a pé ao encontro da habitual boleia, pelo caminho tinha sido abordado por um cabrão de um velho que o tinha assediado. Não o largaria até chegar ao carro. O velho, certamente com fetiche por rapazinhos fardados, insistia para que ele o deixasse chupar-lhe o piço. Dava-lhe vinte contos se lhe deixasse ‘mamar até ao fim e beber tudo’. E por aí fora, foi sempre a chateá-lo. O meu camarada era um gajo assim a dar pró brutamontes mas com cara de bebé, aquele tipo de gajo que se nota claramente quando está encaralhado porque o sangue lhe sobe exageradamente à cara. Contou-nos o transtornado pele vermelha que durante o caminho por várias vezes enxotara o velho, ameaçando-o que lhe ia aos cornos, mas o cabrão do velho nunca despregara e até correra atrás dele. A coisa na altura e durante muitos anos meteu-me confusão… Como podia alguém pagar para chupar no piço de outro ? Com o passar dos anos e depois ler o que se encontra escrito nas portas das casas de banho das estações de serviço das auto-estradas, apercebi-me que é um passatempo muito vulgar entre a rabetagem.
Lembro-me que na altura esta conversa serviu de mote a outras histórias que se teriam passado com outros camaradas. Todos os presentes confidenciaram histórias mais ou menos semelhantes sublinhando no entanto a forma heróica como se tinham desenvencilhado dos rabetas, sempre oferecendo-lhes porrada e até chegando a ir-lhes ao focinho. Senti-me aliviado por nunca me terem ocorrido semelhantes episódios. A verdade é que nunca fui um fantasma atraente para as gajas e portanto, no domínio dos rabetas também nunca o fui. Dificilmente alguém me consegue detectar. Mas se me visse numa daquelas situações não saberia como reagir. Decerto que não seria com violência porque eu não sou um gajo violento. Não por convicção, antes porque não tenho alternativa. Deus Nosso Senhor não foi generoso com a minha compleição física. Se pudesse era violento de bom grado. Mas dadas as contingências do meu ser, se me armasse em violento o mais certo era alguém ser violento também para mim. E isso eu não gosto. Prefiro ficar quieto. No entanto, passaram já bastantes anos e o que aconteceu aos meus camaradas, e que certamente já aconteceu a toda a malta da minha geração, também já me aconteceu a mim: Já fui assediado por rabetas. E caralho, não foi uma, não foram duas, foram três vezes, quatro, contando com a de hoje. O que não é muito. Não chega a ser uma vez por ano, quanto muito, foram uma ou duas vezes por década. A coisa fica na memória porque os rabetas são assim, extremamente directos e decididos, desbocados, descarados e ao mesmo tempo corajosos presumo. Correm sempre o risco de apanhar no focinho mas arriscam.
Presenciei uma vez uma cena memorável no Bairro Alto. Um tipo estava supostamente a fazer-se a outro. O outro sentindo-se incomodado foi ter com ele e começaram à porrada. Foram rapidamente separados mas deu para perceber que o rabeta dizia que não estava a olhar para o outro gajo não senhora. O outro gajo dizia que ele estava sim senhora. Estavam assim neste despique patético que tomei como lição. Considero perigoso um gajo confrontar um rabeta que o está a galar, com abordagens do género: “olha lá oh meu palhaço estás só a olhar para mim… há algum problema ?” Eu sei que é o que apetece fazer. Mas não, este tipo de abordagem não será o mais indicado. O rabeta fica com uma história para contar aos outros amigos rabetas e para ele será certamente uma vitória aperceber-se que conseguiu tirar um gajo do sério e deixá-lo bem fodido da vida perante a sua atitude cínica. O que sempre fiz foi ignorar, fingir que não me estou aperceber da situação e assim deixar o rabeta confuso ou a pensar que um gajo é parvo ou muito inocente. E mais uma vez presumo que os rabetas não gostam deste tipo de gajo, parvo e ou muito inocente.
As situações que se passaram comigo foram levezinhas, tirando a de hoje que me deixou fodido e me fez vir aqui escrever. A primeira foi num bar-disco no Algarve. Naquele momento estava sozinho junto a uma pequena mesa redonda e alta a galar as gajas na pista. Bebia uma imperial e quando chegou ao fim, quando ia colocar o copo vazio na mesa, estava um copo cheio junto a mim mesmo a pedir para ser bebido. Olhei para o copo e reparei num gajo que estava do outro lado da mesa e que me fez sinal apontando para a cerveja, do género “bebe querido que essa pago eu!”. Fingi que não era nada comigo. Nem reparei na fronha do gajo. Sei que desandei, não voltei a frequentar aquela mesa ou a olhar naquela direcção e o resto da noite decorreu com toda a normalidade: eu a beber mais cervejas e a galar as gajas na pista.
A segunda situação constrangedora ocorreu numa despedida de solteiro. Um panhó de merda aproximou-se do nosso grupo e perguntou se conhecíamos algum sitio fixe para curtir a noite. Estávamos na baixa, a caminho do Bairro Alto e eu era ali o veterano do grupo. Disse-lhe que fosse até ás Primas. Erro crasso! Dar conversa a panhós rabetas em qualquer parte do mundo é contraproducente. Mas sinceramente, na altura o tipo pareceu-me apenas mais um gajo com falta de mulher. O tipo não mais me largou com perguntas e perguntinhas até chegar rapidamente aquele ponto da conversa em que começa realmente a cheirar a esturro. Escusado será dizer que os conpinskas que me acompanhavam já se tinham apercebido da cena, colocando-se a uma razoável distancia a gozar o prato. O rabicholas já falava mal das gajas, que só davam problemas e tal… E tal o caralho!! A solução passou por deixar de responder. Simplesmente ignorar o gajo, como se fosse um cão vadio com aquelas carraças que parecem ervilhas penduradas nas orelhas, assim como faço com os pedintes. E o tipo lá desandou.
No Bairro Alto, numa outra noite, aconteceu-me uma que não foi propriamente um assédiozito. Metemo-nos com umas gajas que traziam a reboque um rebetazito. Ás tantas ele começou a fazer-se de intermediário, do tipo, que tínhamos hipóteses com elas, que uma gostava assim, a outra era assado, mas… Tínhamos mais hipóteses com ele… Lembro-me que o gajo às tantas me disse que apesar de ser rabeta era bem capaz de ser mais homem que eu! Uma coisa não invalidava a outra. Respondi-lhe que eu também era ateu mas que era mais cristão que o Papa! O tipo era um entertenier com piada e lá nos convencemos a segui-lo e a mais as gajas até ao… falha-me agora o nome… fica ali no Príncipe Real, muito conhecido…Trumps. Sei que chegamos à porta e tivemos de fazer um compasso de espera, capricho do portas. Estava também ali um policia que meteu conversa connosco e perguntou-nos se já conhecíamos o lugar. Nós dissemos que não. E era verdade. Lisboa era o Bairro Alto e o Príncipe Real era território inexplorado e desconhecido. O bófia, que nos tirou a pinta a certa altura disse-nos estas sábias palavras: “Epá, vão-se embora que isto não é para vocês…”
E hoje aconteceu-me esta merda… Entro no comboio e sento-me ao lado duma gaja. Não deu para lhe ver bem a cara mas sei que é loira. Na estação seguinte entra um gajo, engravatado, que se senta à sua frente. Quando passa por mim, toca-me no sapato e pede-me desculpa. Foda-se também não era razão para pedir desculpa! Acontece, é perfeitamente normal, o espaço entre os bancos é diminuto, normalíssimo a malta tropeçar nos pés uns dos outros. O gajo não me deu nenhuma canelada, foi um toquezito. Mas pronto, há gajos cheios de delicadezas e nove horas… O problema é que o engravatado, passados alguns momentos, sem a mínima razão e inesperadamente, desloca-se do banco frente à loira para o banco frente a mim. Ou seja, fico frente a frente com um, obviamente e mais que certo, rabicholas. De outro modo, que gajo ‘normal’ sai de um banco junto à janela, frente a uma gaja loira e boa para a frente de outro gajo agarrado a um telemóvel a jogar Chuzzle? Mas calma, começo de imediato a considerar outras hipóteses que teriam provocado esta súbita mudança de lugar. Estava sol a bater na cara do menino ? Não. O banquinho onde estava o menino tinha algum defeito ? Não. O menino não tinha espaço para colocar as perninhas ? Não, a loira estava toda encolhida de frio no banco.
As minhas duvidas desfazem-se por completo quando desvio o olhar do telemóvel e olho em frente. Constato que o gajo está a olhar para mim fixamente. Foda-se, Chuzzle outra vez durante alguns segundos e novo teste. O rabeta parece absorto em mim. Certifico-me, fito-o nos olhos algum tempo: é rabeta, não há duvida! Desculpem mas nenhum gajo que não conheça outro de lado nenhum fica mais que um décimo de segundo a olhar os olhos do outro em silêncio! E agora ? Não sou homofóbico, juro. Sou daqueles gajos politicamente correctos que acha que se são felizes a levar na peida epá tudo bem, é lá com eles. Agora não se sentem é meio metro à minha frente e se ponham em transe hipnótico a olhar para mim!
E agora um pormenor muito importante nesta história. Estou constipado! Durante todo o caminho vou a fungar. Estão a ver aquela situação incomoda em que estamos sentados frente a frente com um paneleirote e estamos com um constante corrimento nasal e temos de estar sempre a fungar para o liquido não escorra até aos lábios ? Estava assim. O quão eu desejava ter um lenço de papel. E às tantas, o perspicaz rabeta, cheio de delicadezas, saca do bolso uma embalagem de guardanapos de papel e estende-a à minha frente! E agora caralho ? Um gajo a precisar urgentemente de um lenço de papel e tenho um rabeta a oferecer-me uma embalagem inteira. Se fosse uma gaja que estivesse à minha frente oferecer-me-ia um lenço ? Claro que não. Era capaz de mudar de lugar enojada. Mas como é um rabeta, obviamente que sim, excelente motivo para meter conversa. Recusei a oferta e continuei a fungar.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Duas miúdas conversam animadamente. O tema é o wrestling. Uma viu o Raw na sexta à noite. A outra não viu o Raw na sexta à noite mas por seu turno viu o Smackdown no sábado de manhã. Seguem agora pormenores dos combates, que às tantas entrou o Baptista e mais não sei quem. São assim matulonas, mais de 18, seguramente, merecendo claramente a distinção de “já boas para levar com ele”. Lembro-me de um texto publicado no expresso deste fim de semana, onde se fala sobre o que se fala nas revistas femininas, principalmente as especializadas em telenovelas. Numa dessas revistas, publica-se um dicionário de posições e práticas sexuais. Uma delas consiste no seguinte:
Um gajo está a comer uma gaja à canzana e às tantas tira-o para fora e finge que se vem cuspindo-lhe para as costas. Ela, julgando que terminou o coito, vira-se e nessa altura o gajo vem-se-lhe para a cara. A prática tem o nome de “Houdini” numa clara alusão à ilusão em causa e é supostamente popular entre a miudagem.
Não admira que miúdas assim, apaixonadas do Wrestling, inspirem a malta a inventar mais truques de magia assim tão divertidos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Contaram-me esta anedota. Acho que é a melhor que alguma vez ouvi. Diria que estamos perante uma anedota de antologia que deveria constar nos mais prestigiados livros da especialidade. Passa pelo menos a constar aqui no blog para o prestigiar.

“
Um tipo que anda a emagrecer de dia para dia resolve ir ao médico para ver o que se passa. O médico, depois de o examinar, informa-o que tem dentro de si uma ténia, é essa a causa da sua galopante magreza. O paciente fica bastante assustado mas o médico sossega-o dizendo-lhe:
- O amigo só tem de todos os dias, depois de chegar a casa do trabalho, fazer uma sandes com chouriço e sentar-se em cima dela.
O tipo assim fez e os resultados começaram a ser visíveis, de dia para dia, ia engordando até que recuperou a sua forma anterior.
Certo dia, satisfeito com o resultado do tratamento, mas farto de fazer sandes de pão com chouriço, e como o chouriço era caro, resolveu diminuir a dosagem, e em vez da sandes completa, eliminou o chouriço e sentou-se em cima apenas do pão.
Passados alguns momentos depois de se ter sentado, sai-lhe a ténia pelo cú e diz:
- Então e o chouriço ?!!!
“

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Hoje de manhã quando subo em direcção ao trabalho, na entrada de um prédio um sem abrigo dorme profundamente. A cena, inédita naquela rua, impressiona-me. Sem parar, com o olhar percorro todos os pormenores, todos os pertences mais ou menos espalhados ao seu redor. Pouco mais que nada, apenas um cobertor a mais dentro de um saco de plástico. Os metros seguintes são percorridos com lágrimas nos olhos. Não sei se com pena, se com medo. Pena do pobre diabo ou medo de me tornar assim, num sem abrigo porque a minha vida de fantasma parece presa por um fio tão frágil ao qual diariamente faço uma manutenção desesperada, que sinto, a qualquer momento algum pormenor me escapará…
Aproximo-me então do meu quiosque favorito. Já aqui falei na dupla que o habita, da tia e da sobrinha e o quão aprecio e venero esta ultima. Reparei ontem na aliança que trazia no dedo, enquanto falava comigo, de jornais, como de vez em quando e sempre falamos. Passava a mão pela cara, como nunca o fizera, mostrando a novidade, avisando com aquele brilho metálico a estrangular-lhe o dedo. Passei então a conversa dos jornais para as revistas, e pedi-lhe a Maxmen. Porque achei que ela nunca o poderia ter feito, porque sempre a imaginava com rapazinhos conflituosos, relacionamentos fugazes, condenados a viver apenas dias sem a paz que o verdadeiro amor encerra e só alguém que ama verdadeiramente pode experimentar. Decidi tirar um pouco da mascara de rectidão, de subtileza que lhe proporciono sempre. Perguntei-lhe logo quanto era, enquanto remexia já na carteira, para não receber troco, amuado, traído, eu que nunca lhe dou o dinheiro certo, para que sinta sempre o toque dos seus dedos sempre frios… Há alguém que a come, de noite, com todo o tempo da noite, esse tempo eterno. Que inveja, que raiva, que carteira velha tenho. Mostrei-lhe um pouco da minha natureza pervertida, pela primeira vez, uma revista masculina, um cheirinho, que pareceu não surpreender… Disse-me que já não tinha a deste mês, que amanhã, hoje portanto, sairia um novo número e que mo guardaria, a querida, tão querida, tão doce, como ela guarda sempre o “24 horas” à sexta feira. E é hoje, hoje que ela não está. Tento evitar a tia, velha senhora que decerto, sei que sim, já se apercebeu que nunca são as notícias do dia que me interessam. Tento passar ao largo, mas oiço-a, que a minha sobrinha deixou-lhe aqui a revista. Só a revista ? Que me interessa… Ah, é verdade, ia entretido nos meus pensamentos, os olhos ainda mal refeitos, fungo, é da constipação. E quer levar também o livro do Kamasutra ? Olhe são só mais 2 euros! Pode ser, ponha aí tudo dentro de um saco de plástico.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Até um fantasma vai sofrendo os sinais da erosão do tempo. Não é a vida que passa, é mesmo o tempo que vai deixando as suas marcas. Hoje reparei em três dessas marcas, metamorfoses que ainda não tinha reparado terem gradualmente ocorrido em mim. Envelhecer é isto, é reparar nestas coisas, é tomar esta consciência, é não ter mais nada que fazer e assim ter tempo suficiente para estar parado, e reparar nestas coisas e envelhecer.
Primeira constatação: tenho pêlos por cima dos ombros. É patético, é vergonhoso, não está na moda. Não quero acreditar que este verão andei na praia a fazer esta figura, andei com pêlos por cima dos ombros. A coisa está mal semeada porque nunca tive esta tradição, mas salta escandalosamente à vista porque não tenho pêlos nos lados dos ombros. E ali estão aqueles dois tufos, aquelas espécies de divisas com que os anos me galardoaram. Só que em vez de subir, é sempre a descer de patente.
Segunda constatação: Começo a dar mais valor ao corpo do que à cara das gajas. E nunca fui assim. Nunca fui um Turneriano, ideologia que vai buscar às suas origens a esse sex-symbol encantador que povou o imaginário de milhões de adolescentes, que foi Tina Turner. A so called ‘miss hot legs’ era uma quarentona toda boa e enxuta. Pelos quatro cantos da escola elogiavam-se as suas prodigiosas mocas, aquelas pernas impecáveis que dançavam como se tivessem pastilha elástica agarrada aos sapatos de salto alto. A Tina mexia com um gajo adolescente. Mas era igualmente incontornável a sua cara que não se parecia nem ao de leve com nenhuma das nossas colegas. E para mim, uma gaja que não tivesse um rosto sublime ou minimamente parecido com o da Sandrinha da minha turma, não me despertava o menor interesse. Os Turnerianos contrapunham com a solução óbvia: enfiava-se um saco na cabeça e pronto. Hoje, confesso, estou mais perto desta saudável ideologia. Aqui há dias navegava por um site de gajedo que oferece alguns minutos de prazer em troca de dinheiro e onde toda a carne em exibição esconde a sua face num pudor excitante na mesma proporção em que mostra o restante bem torneado produto. Não senti grande curiosidade em saber como seriam as faces daqueles corpos. Antes como seriam aqueles corpos assim mais ao perto. Mas ainda assim, recorrendo à mais alta tecnologia, e porque numa foto uma delas dava a mostrar os lábios, noutra o olho esquerdo, noutra a testa, noutra o olho direito, fiz diversos recortes e consegui completar o puzzle com o rosto completo duma das colaboradoras. Não gostei do que vi, mas de imediato achei que pouco interessava. Não era bonita mas não seria preciso enfiar um saco. O portentoso corpo que exibia relegava para segundo plano o facto de não ser bonita. O triunfo da carne sobre os princípios ? Big deal!
Terceira constatação: Durante anos e anos quando via dois pacotes de leite abertos em cima da bancada da cozinha, nunca conseguia distinguir qual deles estava cheio e qual deles estava vazio. Pegava num copo para o encher e invariavelmente pegava no pacote vazio. Uma metáfora perturbadora sobre as minhas opções de vida, que nunca seriam afinal as correctas. Hoje em dia, e com orgulho o digo, consigo acertar sempre no pacote de leite cheio.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O meu dia-a-dia é feito de dois pequenos rituais diários que não dispenso. Um desses rituais é o de tentar atropelar logo pela manhãzinha um gajo que anda no meio da estrada a tentar impingir o Global Notícias a mim e aos outros condutores. Como não tenho muito jeito para a coisa e o gajo deve ter um qualquer problema grave de memória, obriga-me a repetir sempre a mesma coisa, que já me entregaram o jornal no cruzamento anterior. Hoje voltei a parar no vermelho e logo o fulano com o seu eterno mau aspecto se abeirou. Tive então a oportunidade de lhe perguntar porque não escolhia outro cruzamento ou então passava a entregar o jornal assim num sítio mais movimentado como na auto-estrada, à saída da ponte. O tipo levou a mal. Espero que amanhã já se lembre de mim.
Outro ritual que não dispenso é a minha visita habitual ao Continente depois de terminada mais uma gloriosa jornada de trabalho. Naturalmente que não vou ali para fazer compras. Os preços são escandalosamente mais caros que no LIDL ou até no Pingo Doce. Têm aquelas tangas dos descontos mas o que está em desconto são sempre merdas que não interessam nem ao menino Jesus. Assim, único motivo de interesse, as gajas que estão espalhadas pelos corredores a darem a provar queijinhos, bolachinhas, chás, enfim, coisinhas que fazem bem ao lanche. Ontem estavam a dar umas fatiazinhas de deliciosas pizas. Fiz várias incursões ao respectivo corredor, ora com o casaco vestido, ora despido, ora aproveitando um maior ajuntamento, para passar despercebido, para não parecer que era o mesmo lambão. Intervalava estas incursões com breves passagens pelo corredor da Compal onde primeiro uma gaja toda boa e depois outra que a substituiu nem por isso, ofereciam aos clientes copinhos com suminho.
Deu para jantar.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Duas rodas em cima do alcatrão, outras duas em cima do passeio. O taxista sai a correr depressa na direcção da tasca. O policia vem a andar devagar na direcção do táxi mal estacionado. Alguns minutos depois, a cena previsível e habitual. O taxista gesticula indignado, que “foi só um minuto”, que “anda a trabalhar”, que “não anda a roubar”, que “trabalha no duro”, filhos para sustentar”, que foi só o tempo de um fugaz bagacito. O bófia, com a insensibilidade de um Colina depois de assinalar um penalti inexistente, lá vai passando a multa e entretanto ultrapassa o ponto de não retorno porque há uma turba de curiosos atentos à cena, a impedir qualquer flexibilidade da autoridade, qualquer “vá lá que desta vez passa”. Estão ansiosos por ver lixado mais um taxista, esses gajos que tipicamente “são sempre a mesma merda” e que portanto merecem todas as multas possíveis.
Atente-se neste exemplo, que ilustra bem o circulo vicioso da filha da putice. O bófia foi-o, o taxista há-de o ser para alguém, porque alguém terá de pagar aquela multa. E assim sucessivamente.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A Bíblia não é só aquele livro que podemos encontrar a enfeitar as mesinhas de cabeceira dos quartos de hotel. Podemos retirar da Bíblia inúmeros ensinamento das suas incalculáveis short-stories que, se nelas meditarmos, constatamos conterem preciosas instruções para a vida de todos nós. Estou agora a lembrar-me de duas que me tocam particularmente e que gostaria aqui de partilhar, resumindo-as no essencial mas apontado a sua localização no livro sagrado para aqueles que quiserem aceder ao texto na integra. A primeira está localizada em Génesis 37:18-28;39:4-20; Salmo 105:17-19, e reza assim:
Depois de vendido como escravo pelos irmãos, José exerce agora a sua escravatura no Egipto. Servindo o seu amo abnegadamente e tendo assim bom aspecto, é notado pela bela esposa do amo que começa a fazer-se a ele à força toda. No entanto José recusa-se a comer a gaja por causa daquela coisa lá dos mandamentos. Ela, despeitada, vira o jogo ao contrário, e queixa-se ao marido que teria sido alvo de assédio por parte do reles escravo. José acaba por ir de cana, onde acabará os seus dias.
E que no diz esta história ? Além de muito nos dizer acerca da natureza e dos fetiches femininos, diz-nos que nunca deveremos dizer que não, sempre que uma gaja nos assediar. Principalmente se for boa, e se for a mulher ou até mesmo a filha do patrão, melhor ainda e mais razão nos assiste. Duvido que exista algo que melhor faça ao ego de um gajo e o faça levantar todos os dias de manhã com um vigor e vontade de trabalhar extra, do que saber que anda a comer a mulher daquele que o explora.
Outra história, outra preciosa instrução para a vida aparece-nos em 1 Reis 21:1-14; 2 Reis 9:26:
Nabote tinha um terrenozito que ficava paredes meias com o palácio do Rei Acabe, de Israel. Jezabel, a rainha, queria alargar os jardins do palacete e sugeriu ao rei que se comprasse o terreno de Nabote. O rei fez uma proposta irrecusável a Nabote, mas este, por causa daquelas coisas lá dos mandamentos, disse peremptoriamente que não vendia o terreno coisa nenhuma, inviabilizando o negócio. Impossibilitada de ver cumprido o seu sonho, Jezabel arranjou meia dúzia de testemunhas que acusaram Nabote de blasfémia contra o Rei. Como resultado, Nabote e a família foram mortos à pedrada.
Ou seja, deveremos sempre negociar com sapiência, saber até onde podemos ir para vender pelo preço mais alto possível mas nunca fechar a porta à negociação.
Ambas as histórias dizem-nos que muito cuidado devemos ter com as mulheres, a quem devemos prestar toda a atenção e cuidado aos seus desejos e caprichos que muitas vezes podem ser coincidentes com os nossos. Dizem-nos ainda que nunca devemos recusar propostas irrecusáveis só por causa lá daquela coisa dos mandamentos. E este ensinamento podia muito bem ser o 11º mandamento que falta.Apesar dos tempos serem outros, a escravatura, as prisões e as pedras, agora da calçada que devem doer ainda mais, estão em todo o lado, pelo que nunca é demais relembrar estas dicas e aplicá-las na nossa vivência diária se quisermos viver mais, com mais alegria e com a bênção de Nosso Senhor que decerto se regozijará por saber que lemos e aprendemos com o que vem no sagrado livro.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Há uma mensagem subliminar espalhada por todas as estações de comboio e de metro: o azeite virgem, masculino, está no seu galheteiro, no seu leito à espera de companhia. Há um lugar vago de lado, por trás, pela frente, consoante a posição do galheteiro, destinado ao vinagre, masculino também, havendo três pretendentes que se perfilam em comboio, qual deles mais desejoso de fazer companhia ao azeite sedento de companhia no antro galheteiro. Adivinha-se escolha difícil e não será de admirar, tal é a promiscuidade dos tempos modernos, que o azeite receba os três, e cada um à sua vez consuma com o azeite virgem o acto do libidinoso tempero.
É estranho que o Vaticano não se pronuncie sobre esta mensagem assim a dar pró rabeta que subliminarmente se esconde na publicidade dos novos vinagres duma marca de azeites.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Hoje vi um gajo parecido com Nosso Senhor Jesus Cristo (NSJC). Há muito tempo que não via nenhum gajo parecido com NSJC mas já me aconteceu várias vezes ao longo da minha fantasmagórica existência cruzar-me com estas personagens. Uma pessoa nunca fica indiferente quando as encara e pensa logo “fosga-se este gajo é mesmo parecido com NSJC!”.
Depois subsiste aquela duvida primordial… É que está entranhada no nosso ADN, essa certeza inabalável que é saber-se que NSJC voltará um dia à Terra. Fica-se sempre a pensar, “espera lá, queres ver que é este mesmo o NSJC original que voltou à terra e escolheu ir de metro até ao Marquês?!”.
É pena que esta coisa dos sósias só tenha sido inventada no século passado. Bem que se safou o Hitler várias vezes, lá se vai safando o Michael Jackson e muito jeito teria dado a NSJC coitado, naqueles tempos em que as pessoas se vestiam com lençóis enrolados no corpo e se entretiam a apedrejar-se e a crucificar-se umas às outras.
Tal como todos os gajos parecidos com NSJC, este que vi hoje tinha todas aquelas características peculiares que o poderiam identificar como sendo NSJC: moreno, barba desgrenhada, cabelo comprido e desgrenhado, aquele olhar alienado, calado, sozinho e parecia ter fome. Não aquela fome de gajas, mas mesmo fome-fome, nutricionalmente falando, de quem lhe apetecia assim uma bela sardinha assada. Tinha era uns ténis da Nike, porque se tivesse umas sandálias, pelo seguro, tinha-lhe logo pedido a benção.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Fico feliz quando constato que o avanço tecnológico não se verifica só nas consolas de jogos e nos telemóveis, mas nas mais pequenas e discretas coisas que contribuem para o bem estar social e psicológico do individuo.
Aqui há dias estava na fila para sair do parque de estacionamento das Amoreiras e à minha frente seguiam dois brutos carrões. Há muito tempo que não utilizava esta expressão, ‘brutos carrões’. Acho que desde a escola primária. À minha frente seguiam portanto um bruto Mercedes descapotável e mais à frente ainda um bruto BMW normal. O BMW introduziu na ranhura o cartão do estacionamento e a cancela abriu. Combinado que estava com o Mercedes pilotado por uma gaja que de trás parecia-me mesmo boa, começou a abrir por ali a fora que até fez uma chiadeira com os pneus, com a gaja do Mercedes a acompanhá-lo, coladinha para não pagar o bilhete do parque. O problema é que a cancela, mal passou o BM, baixou imediatamente, batendo contra o capot do Mercedes com toda a força possível que uma cancela pode bater. Baixou, bateu e subiu logo, mas houve estrondo e consequente moça suficiente para atrair as atenções. A minha atenção não foi preciso atrair porque já me encontrava em transe a registar todas as ondulações do cabelo loiro da gaja do Mercedes. Mas um segurança preto veio a correr e a gritar “hei, hei!”
E onde entra a tecnologia nesta história real e verídica como são todas as que este fantasma aqui relata ? Já é a segunda vez que ele presencia uma cena destas no mesmo parque de estacionamento. Da primeira vez, curiosamente, a cancela abateu-se também sobre um BMW. Só que assim como caiu com toda a força no capot, ali ficou, caída como que a dizer “ninguém vai a lado nenhum!”. O tipo do BM, com o capot amachucado e a cancela em baixo, não podia pirar-se. Teve de sujeitar-se à humilhação de ser apanhado, algo muito degradante e cruel, um espectáculo desumano e traumatizante, só comparável às sevicias praticadas durante a idade média e no tempo da inquisição. Sei que na altura podia ter ficado ali parado atrás do tipo e presenciar aquele espectáculo grotesco, os seguranças a acercarem-se do individuo, o individuo a forçar ao máximo a massa encefálica para inventar uma desculpa qualquer… Mas não, virei a cara, ultrapassei e passei para a outra cancela e em passant ainda disse “porcaria das cancelas estão sempre a avariar!”, num gesto de solidariedade que digo-vos, até a mim me surpreendeu.
Graças à evolução tecnológica verificada nas cancelas do parque de estacionamento do meu preferido Centro Comercial das Amoreiras, estão agora estas dotadas de um qualquer sensor que, sentindo a bela chapa amolgada de um bruto carrão, sobe imediatamente, permitindo assim ao utente do parque não ser confrontado com a humilhação de ser apanhado a querer escapar-se sem pagar os dois ou três euros ou lá que raio é, que eu não sei porque só entro lá quando já se pode entrar à borla, ao final do dia. Assim, aquela loira a quem lhe foi concedido o direito, e muito bem, de se pisgar, protegida que está pelo anonimato, poderá voltar novamente e efectuar compras, almoçar, ver o seu cinema, enfim, passear-se nos pisos de cima no dia seguinte, como se nada fosse, para deleite dos circundantes transeuntes, sem que tenha seguranças a apontá-la ou lojistas a cochichar pelos cantos quando ela passa. Uma sociedade civilizada passa por estes pormenores aos quais à tecnologia muito temos a agradecer.

quinta-feira, 19 de julho de 2007


Resultados da primeira grande sondagem TSI: Davas boleia a esta gaja ?

Resultados (18 votantes):
Dava caralh*!! 4 (22%)
F*da-se então não ?! 5 (27%)
Trago melhor no carro! 6 (33%)
É a Madonna não é ? 3 (16%)
A gaja é mesmo a Madonna!
Esta sondagem decorreu nos meses de Junho e Julho de 2008.-